Perspectiva Semanal dos Mercados | 2 – 6 de fevereiro de 2026
Os mercados financeiros globais entram na primeira semana completa de fevereiro com a liquidez totalmente restabelecida e o foco dos investidores voltado para a confirmação dos sinais macroeconômicos. Após os ajustes de posicionamento realizados em janeiro, os mercados passam a ser cada vez mais guiados pelos dados econômicos, pelas comunicações dos bancos centrais e pela reprecificação entre classes de ativos, à medida que os participantes avaliam se as tendências iniciais de 2026 sustentam as expectativas de crescimento e de flexibilização monetária mais adiante no ano.
A atenção permanece concentrada nos Estados Unidos, com destaque para a resiliência do mercado de trabalho, a dinâmica da inflação e o aperto das condições financeiras. Ao mesmo tempo, os mercados digerem as mensagens dos bancos centrais divulgadas em janeiro, reavaliam a divergência de políticas entre as principais economias e monitoram a retomada da volatilidade nos mercados de câmbio e de commodities.
O comportamento recente dos mercados sugere uma transição do reposicionamento típico do início do ano para estratégias mais baseadas em convicção. Os índices acionários buscam definir direção, o dólar americano segue sensível às expectativas de juros, e as commodities continuam refletindo riscos geopolíticos e de oferta, mais do que sinais puramente ligados à demanda.
Principais Pontos de Atenção
- Com a liquidez totalmente normalizada, os mercados tendem a reagir de forma mais intensa a dados macroeconômicos e a manchetes relacionadas à política monetária nos mercados de câmbio, juros e ativos de risco.
- Os dados do mercado de trabalho e da inflação nos EUA seguem sendo determinantes para as expectativas quanto ao ritmo e ao momento de eventuais cortes de juros pelo Federal Reserve em 2026.
- Os investidores avaliam se os dados de janeiro sustentam um cenário de “pouso suave” ou indicam riscos adicionais para o crescimento global.
- A volatilidade no mercado cambial permanece elevada, especialmente nos pares envolvendo o iene, diante dos diferenciais de juros e das expectativas em torno da política do Banco do Japão.
- Os mercados de energia continuam sensíveis a fatores geopolíticos e a riscos de oferta, reforçando o papel do petróleo como uma variável-chave para a inflação no início de 2026.
Perspectiva do Fed, Sensibilidade aos Dados e Posicionamento em Fevereiro
Embora não haja reunião do Federal Reserve programada para esta semana, os mercados permanecem altamente sensíveis a qualquer dado que possa desafiar ou reforçar a abordagem dependente de dados adotada pela autoridade monetária. As comunicações recentes do Fed reforçaram uma postura cautelosa, destacando a necessidade de evidências consistentes de desinflação antes de um compromisso claro com um ciclo de cortes de juros.
As próximas divulgações de dados econômicos nos EUA, especialmente indicadores do mercado de trabalho e da inflação, devem impulsionar a reprecificação nos mercados de juros e câmbio. Um mercado de trabalho resiliente pode adiar as expectativas de flexibilização, enquanto sinais claros de desaceleração podem reativar o otimismo em relação a cortes mais adiante no ano.
Com o posicionamento institucional cada vez mais alinhado aos fundamentos macroeconômicos, a dinâmica de preços no curto prazo tende a ser predominantemente guiada pelos dados. A direção do dólar americano dependerá da confirmação da força relativa da economia dos EUA.
Europa e Reino Unido: Crescimento Frágil e Cautela na Política Monetária
Os mercados europeus iniciam fevereiro diante de desafios persistentes para o crescimento. Indicadores recentes continuam apontando demanda contida, condições financeiras restritivas e pressão prolongada sobre o setor manufatureiro. Apesar da moderação da inflação, o impulso econômico segue frágil.
No Reino Unido, a libra esterlina permanece sensível às mudanças nas expectativas sobre sustentabilidade fiscal e à trajetória de médio prazo da política monetária do Banco da Inglaterra. Com a liquidez normalizada, os pares envolvendo o GBP podem reagir de forma mais acentuada a surpresas macroeconômicas ou a mudanças no sentimento global de risco.
Japão e Mercado de Câmbio: Volatilidade do Iene como Fator de Risco Global
O Japão continua desempenhando um papel central na dinâmica global do mercado cambial. Os elevados rendimentos dos títulos públicos japoneses e a especulação sobre uma maior normalização da política do Banco do Japão mantêm o iene altamente sensível aos diferenciais de juros e às oscilações no apetite por risco.
Movimentos mais bruscos no USD/JPY podem desencadear ajustes amplos em operações de carry trade, nos mercados acionários globais e nas moedas de mercados emergentes, elevando os riscos de volatilidade ao longo da semana.
Commodities e Geopolítica: Petróleo Permanece no Centro das Atenções
Os preços do petróleo seguem sustentados por riscos geopolíticos e incertezas no lado da oferta. Eventos em regiões-chave produtoras, combinados com a limitada capacidade excedente global, continuam sustentando prêmios de risco no mercado de petróleo.
Embora sinais mistos de crescimento global possam limitar o otimismo do lado da demanda, os riscos de oferta seguem sendo um fator de suporte para os preços da energia. Esse cenário reforça a assimetria dos riscos inflacionários e complica o panorama para os bancos centrais, com impactos sobre o sentimento entre diferentes classes de ativos.
Temas Globais e Fatores de Risco
A divergência de política monetária permanece como um tema dominante, especialmente entre Estados Unidos e Japão. A volatilidade cambial deve continuar à medida que os mercados reagem à reprecificação impulsionada pelos dados. Os riscos inflacionários seguem assimétricos, com os preços da energia atuando como potencial catalisador altista, enquanto fatores geopolíticos e o reposicionamento de carteiras no início do ano influenciam a dinâmica de curto prazo.
Conclusão
Os mercados entram no período de 2 a 6 de fevereiro com liquidez plena e elevada sensibilidade aos sinais macroeconômicos. Embora não sejam esperadas decisões relevantes de política monetária, a interpretação dos dados de emprego, inflação e crescimento será fundamental para moldar as expectativas de política ao longo de 2026.
Em um ambiente marcado por incertezas, riscos geopolíticos e posicionamento mais baseado em convicções, a disciplina, a gestão ativa de riscos e a exposição seletiva continuam sendo essenciais.

