Perspectiva Semanal do Mercado | 16–20 de fevereiro de 2026
Os mercados globais iniciam a terceira semana de fevereiro com uma clara divisão em liquidez e catalisadores: os mercados dos EUA reabrem após o feriado do Presidents’ Day, e o restante da semana concentra um conjunto denso de divulgações macroeconômicas e sinais de política monetária nos EUA que podem reprecificar juros, o dólar e o sentimento geral de risco.
Também é uma semana em que a divergência entre regiões permanece em foco: a atualização mais recente do PIB do Japão destaca um cenário de crescimento frágil, enquanto os dados de inflação do Reino Unido e a comunicação do BCE na zona do euro ampliam o mosaico global de política monetária.
Pontos-Chave a Observar
- Impacto do feriado nos EUA: Os mercados de ações e títulos dos EUA permanecem fechados na segunda-feira (16 de fevereiro), o que pode ampliar gaps de abertura e ajustes de posicionamento quando os mercados reabrirem na terça-feira.
- Sinalização do Fed sem reunião: A ata do FOMC será divulgada na quarta-feira (18 de fevereiro), três semanas após a decisão de política monetária, e tende a ser um gatilho relevante de volatilidade para juros e posicionamento em USD.
- Concentração de dados nos EUA: Pesquisas manufatureiras, dados do setor imobiliário, pedidos de auxílio-desemprego e indicadores de atividade serão divulgados em sequência apertada, aumentando a probabilidade de reprecificação rápida em FX e juros.
- Equilíbrio entre crescimento e inflação: A narrativa do mercado dependerá de saber se os dados reforçam uma demanda resiliente sem reacender pressões inflacionárias, especialmente por meio do PCE e dos indicadores de atividade.
- PIB fraco do Japão no 4T: O resultado mantém elevada a sensibilidade do JPY, enquanto investidores avaliam até onde a normalização da política monetária pode avançar em um ambiente de crescimento frágil.
Perspectiva do Fed, Sensibilidade aos Dados e Posicionamento em Meados de Fevereiro
Sem decisão de política monetária do Fed nesta semana, o “sinal de política” vem da ata e da sequência de dados macroeconômicos. A divulgação de quarta-feira importa menos pelo título e mais pelos detalhes: como os formuladores de política descrevem a persistência da inflação versus a confiança no processo de desinflação, e se há mudança no balanço de riscos em relação ao crescimento e ao mercado de trabalho. A própria orientação do Fed — que estabelece a divulgação da ata três semanas após a decisão — ancora as expectativas quanto ao timing.
A combinação de sexta-feira entre o PIB (prévia) do 4T de 2025 e os dados de Renda e Gastos Pessoais (incluindo o PCE) representa o principal risco macroeconômico da semana. Dados mais fortes de atividade e sinais de inflação persistente podem pressionar os juros para cima e sustentar o USD. Já sinais de demanda mais fraca com inflação em desaceleração podem reavivar expectativas de flexibilização, apoiando ativos de risco enquanto pressionam o USD, especialmente frente a moedas de maior beta.
Europa e Reino Unido: Inflação e Leitura de Política Monetária
O CPI do Reino Unido (janeiro de 2026) está confirmado para quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, às 07:00 (horário do Reino Unido), sendo o catalisador mais direto de curto prazo para a ponta curta da curva britânica e os cruzamentos do GBP. É importante acompanhar o núcleo e o CPI de serviços, além de eventuais surpresas no índice cheio que possam alterar a percepção sobre a estratégia do Banco da Inglaterra entre “juros mais altos por mais tempo” ou início de cortes.
Na zona do euro, o Boletim Econômico do BCE (Edição 1/2026), programado para 19 de fevereiro de 2026, é mais relevante pelo enquadramento do cenário (equilíbrio entre crescimento e inflação e grau de restrição das condições financeiras) do que por uma leitura pontual de “acima/abaixo do esperado”. Serve para avaliar se a narrativa do BCE permanece consistente com uma abordagem dependente de dados e reunião a reunião.
Japão e Mercado Cambial: Sensibilidade do JPY como Canal de Volatilidade Global
A atualização mais recente do PIB do Japão reforça uma tensão já conhecida: normalização da política monetária versus crescimento frágil. A primeira estimativa preliminar do PIB do 4T foi programada para 16 de fevereiro (JST), e os relatos destacam crescimento bastante modesto abaixo das expectativas, mantendo o iene sensível aos diferenciais de juros e ao apetite global por risco.
Risco de transmissão: Movimentos abruptos no USD/JPY podem se espalhar para posições de carry trade, moedas emergentes e até volatilidade em ações, especialmente em uma semana em que os catalisadores de juros nos EUA estão concentrados.
Commodities e Geopolítica: Energia como Variável Inflacionária
A energia continua sendo um insumo-chave entre ativos, já que oscilações no petróleo bruto e derivados alimentam a narrativa de inflação (e as expectativas inflacionárias), particularmente em semanas dominadas por dados de inflação e interpretação de política monetária. O Relatório Semanal de Petróleo da EIA, normalmente divulgado na quarta-feira, será publicado na quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026 (devido ao feriado), o que pode concentrar a volatilidade do petróleo na segunda metade da semana, especialmente se movimentos do USD amplificarem a dinâmica dos preços.
Conclusão
A semana de 16 a 20 de fevereiro é definida pela reabertura dos mercados dos EUA após o feriado, por uma sequência concentrada de dados macroeconômicos norte-americanos e por múltiplos sinais relevantes de política monetária global, desde o CPI do Reino Unido até a comunicação do BCE e os dados de crescimento do Japão. Em um ambiente em que juros e câmbio continuam sendo os principais canais de transmissão, gestão disciplinada de risco, atenção ao timing dos eventos e exposição seletiva permanecem essenciais — especialmente em torno da ata do FOMC e dos dados de PIB/PCE.

