Walmart Firme no Clube de US$ 1 Trilhão Antes das Vendas no Varejo

O primeiro grande dado macroeconômico da semana está prestes a ser divulgado: as Vendas no Varejo dos EUA. O consumidor americano responde por cerca de 70% do PIB dos Estados Unidos, enquanto o setor varejista representa 6,2% do PIB e é o maior empregador privado do país. Esses números, por si só, explicam por que essa divulgação sempre recebe atenção significativa dos mercados.

O crescimento anual das Vendas no Varejo desacelerou levemente desde o início de 2025, após atingir repetidamente níveis próximos a 5%, mas permanece relativamente sólido em +3,3% na comparação anual. Na base mensal, a expectativa é de leve moderação para +0,4%, ante +0,6% anteriormente.

Recentemente, tem ganhado força a discussão de que os chamados “dinossauros do século XX” estariam superando as superempresas de tecnologia dos anos 2000 — ao menos em termos de desempenho no mercado acionário — e a Walmart é um exemplo claro disso. Em 3 de fevereiro de 2025, a maior varejista dos EUA em receita ingressou oficialmente no clube das empresas com valor de mercado superior a US$ 1 trilhão, onde permanece de forma consistente. Embora os resultados sejam divulgados em 19 de fevereiro, a companhia já ocupa a 10ª posição entre as maiores empresas dos EUA por valor de mercado.

Essa reprecificação é amplamente impulsionada por uma mudança estratégica voltada à adoção de sistemas tecnológicos inteligentes e à transição de um modelo focado apenas na venda de produtos para outro baseado no controle das plataformas por onde esses produtos circulam. Sob a liderança do novo CEO, John Furner, a Walmart está implementando “Super Agentes de IA” em sua cadeia de suprimentos para prever demanda, automatizar a gestão de estoques e até negociar com fornecedores. Até o fim de 2026, a empresa espera que 65% de suas lojas sejam abastecidas por centros de distribuição automatizados.

O negócio de publicidade da Walmart também está em forte expansão, com receitas crescendo 53%. Esse segmento representa um motor de crescimento de alta margem, com margens operacionais entre 60% e 80%. Em um movimento sutil, porém estratégico, a Walmart transferiu sua listagem para a Nasdaq no fim de 2024, reforçando seu posicionamento como empresa orientada à tecnologia.

Em termos de receita, a Walmart reportou US$ 179,5 bilhões no trimestre (aproximadamente +6% na comparação anual), colocando a companhia no caminho para potencialmente superar US$ 700 bilhões em receita anual. As vendas globais de e-commerce avançaram 27%, reforçando a força de sua estratégia digital.

Análise Técnica

A Walmart ultrapassou a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado quando as ações romperam acima de US$ 125,47. No fechamento de ontem, os papéis eram negociados a US$ 129,02, acumulando alta de 14,04% no ano.

A ação mantém tendência de alta consistente desde maio de 2024, quando era negociada em torno de US$ 60. O movimento tem sido relativamente ordenado: a linha de tendência de suporte foi testada em abril e novamente em novembro de 2025, confirmando-se como suporte relevante. A partir daí, pode-se traçar um limite superior de canal, aparentemente testado na última sexta-feira próximo de US$ 131,50. Ainda assim, mantemos cautela quanto a essa resistência superior devido à confirmação limitada.

As Bandas de Bollinger se ampliaram, e o preço encerrou acima da banda superior por quatro sessões consecutivas, sinalizando forte momentum. As médias móveis de 21 e 50 dias estão atualmente em US$ 121 e US$ 116,50, respectivamente — cerca de 6,75% abaixo dos níveis atuais.

Acreditamos que a ação pode permanecer sustentada nesses patamares elevados ao menos até a divulgação oficial dos resultados na próxima quinta-feira. Após isso, não seria surpreendente observar realização de lucros diante da magnitude da valorização recente. Por ora, monitoramos de perto os níveis de curto prazo em US$ 128, US$ 129,40 e US$ 131,60.