USD em Queda com FX em Turbulência
Após meses de volatilidade relativamente contida no mercado cambial, o cenário mudou de forma abrupta. Nas últimas quatro sessões, o Dollar Index registrou seu pior desempenho desde abril de 2025 (período posterior ao anúncio inicial de tarifas). Com queda de -0,83% ontem, o dólar recuou para níveis não vistos desde fevereiro de 2022. Tanto a mínima intradiária em 95,21 quanto o fechamento em 95,45 ficaram bem abaixo do suporte de 96,40, que vinha sendo respeitado desde maio de 2025.
O DXY é um índice baseado em futuros que mede a força do dólar frente a seis moedas principais. Cada movimento reflete desdobramentos concretos no mercado de câmbio. Diversos pares romperam níveis técnicos relevantes, tanto em moedas tradicionalmente defensivas (CHF e JPY) quanto em moedas ligadas a commodities (especialmente AUD e CAD), geralmente mais sensíveis ao apetite por risco global.
Diante da amplitude dos movimentos, não é possível cobrir todos os pares. Começamos pelo AUD/USD, que acumula alta de 4,86% desde segunda-feira, 19 de janeiro, fechando ontem em 0,6997 (+1,29%). O par rompeu decisivamente a resistência na região de 0,6700–0,6740 e, de forma relevante, iniciou sua alta antes da maioria das demais moedas principais. Um dos catalisadores da recente fraqueza do dólar foi o rumor de mercado, surgido na última sexta-feira, de que a mesa de operações do Fed poderia estar se preparando para uma possível intervenção coordenada com o Japão para conter a desvalorização do iene — o que implicaria compra de JPY e venda de USD, seja no mercado à vista ou via swaps. No caso do dólar australiano, porém, o movimento já vinha se formando, possivelmente apoiado pela alta do ouro, do qual a Austrália é grande exportadora.
Voltando-se ao franco suíço, outro porto seguro relevante, o movimento foi particularmente expressivo. O USD/CHF rompeu com força o suporte anterior em 0,7875, encerrando ontem em 0,7629 — valorização de 4,21% do CHF em apenas três sessões. Em paralelo, o EUR/USD superou 1,20 e o GBP/USD voltou a negociar acima de 1,38 pela primeira vez desde o fim de 2021.
Tudo isso ocorre poucas horas antes da reunião do FOMC, da qual o mercado não espera alterações na política monetária, conforme indicado pelos contratos futuros de Fed Funds. A atenção estará voltada para o guidance ao longo do ano, com uma a duas reduções adicionais de juros já precificadas, possivelmente em junho e dezembro. A reunião também deve atrair foco devido às discussões sobre pressão política e independência do Federal Reserve — envolvendo a situação de Jerome Powell, atualmente sob investigação do DOJ, questionamentos relacionados à governadora Lisa Cook e a proximidade do fim do mandato de Miran, além da expectativa de anúncio do sucessor de Powell nos próximos dias.
Por fim, um ponto adicional não diretamente ligado ao dólar: o EUR/CHF começa a mostrar sinais de fragilidade, refletindo a força acentuada do franco suíço — possivelmente associada à alta do ouro. O par testa a região de suporte em 0,92 e negocia próximo de 0,9183, ainda sem rompimento decisivo. Trata-se de um nível que merece monitoramento atento nas próximas sessões.

