EURUSD Sob Impacto de Tarifas e Eventos-Chave

Enquanto a atenção global se volta para as tensões dentro da OTAN envolvendo a questão da Groenlândia e para as ameaças de tarifas recíprocas entre países de ambos os lados do Atlântico, a agenda desta semana também traz uma série de eventos relevantes.

O Eurogroup já está reunido em Bruxelas desde ontem, seguido hoje pelo encontro dos ministros das Finanças no âmbito do ECOFIN. Paralelamente, ocorre o Fórum Econômico Mundial em Davos, tradicional ponto de encontro de líderes políticos e econômicos.

Diversos membros do BCE devem se pronunciar nos próximos dias, com destaque para a presidente Lagarde, que falará duas vezes amanhã na Suíça. De Nagel a Escrivá, passando por Villeroy, autoridades monetárias oferecerão sinais sobre a avaliação da economia da zona do euro e o rumo da política monetária. O calendário macro também é denso: confiança econômica na Europa, PCE nos EUA e PMIs em ambos os lados do Atlântico estarão no radar.

Esse cenário ocorre em meio a divergência moderada nos mercados de renda fixa. Bunds alemães operam em território positivo há cerca de três semanas, enquanto Treasuries dos EUA permanecem estáveis e sofreram venda relevante ontem. No Japão, os yields continuam avançando: o JGB de 40 anos supera 4%, e o de 10 anos atinge o maior nível em três décadas.

ANÁLISE TÉCNICA

No gráfico semanal de longo prazo, observa-se que o par vem consolidando dentro de uma faixa ampla: suporte em torno de 1,1420 e resistência próxima de 1,1750 — níveis historicamente relevantes desde 2015 e revisitados em 2017–18 e 2020–21. Após o rali no primeiro semestre do ano passado, o EUR/USD entrou em consolidação dentro desse intervalo.

Dentro da faixa, destaca-se a formação de fundos ascendentes, reforçada pela recente recuperação a partir de 1,1575. A mínima de agosto em 1,14 não foi retestada, e a última correção voltou a encontrar suporte na região de 1,1475–1,15. No topo, o pico de agosto em 1,1870 também não foi revisitado, com último fechamento relevante em 1,1795 no fim de dezembro. Essas duas linhas de tendência servirão como principais referências, exigindo rompimentos claros para validar movimentos mais amplos.

No curto prazo, o preço rompeu a média móvel de 50 dias e testa a de 21 dias próxima de 1,17, provável resistência inicial. Um rompimento sustentado abriria espaço para 1,1720 e 1,1745. No lado inferior, 1,1650 — rompido hoje — permanece nível relevante. O MACD virou negativo, e é importante lembrar que movimentos prolongados de aversão ao risco tendem a favorecer o dólar como ativo de proteção.

Em síntese, o EUR/USD permanece dentro de um range, com 1,1575 e 1,1785 delimitando o intervalo provável nas próximas sessões.