Perspectiva Semanal do Mercado | 26 – 30 de janeiro de 2026
Os mercados atravessaram forte volatilidade na semana passada após ameaças tarifárias do presidente dos EUA, Donald Trump, contra importações europeias ligadas às tensões envolvendo a Groenlândia. Uma rápida redução das tensões ajudou a limitar as perdas.
Entre os dados positivos, o PIB do 3º trimestre foi revisado para 4,4% anualizado, enquanto a inflação PCE de novembro permaneceu estável em 2,8% ao ano. O grande destaque da semana foi o mercado de commodities: o gás natural disparou mais de 70% devido a uma onda de frio intensa no Hemisfério Norte e oferta restrita. Nos metais preciosos, a prata subiu cerca de 44% no mês e testou níveis acima de US$ 100/oz, enquanto o ouro permaneceu perto de US$ 4.890/oz com suporte da demanda por proteção.
Pontos-chave da semana
- A reunião do FOMC em 28 de janeiro deve manter juros entre 3,50%–3,75%; o foco será o tom de Jerome Powell sobre possíveis cortes em 2026.
- Temporada de resultados das mega tech começa: Microsoft, Meta Platforms, Tesla e Apple serão decisivas para o sentimento do setor.
- Confiança do consumidor dos EUA e possíveis dados de inflação no atacado podem indicar tendências de consumo.
Fed, dados e temporada de resultados
Após três cortes de juros no fim de 2025, o mercado espera pausa do Federal Reserve. O “dot plot” sugere apenas um corte em 2026, divergindo das expectativas de flexibilização mais agressiva. Qualquer mudança no discurso de Powell pode gerar volatilidade imediata no dólar e nos rendimentos dos Treasuries.
Resultados corporativos: o grande teste da tecnologia
Esta é a semana mais importante do trimestre para os investidores em ações:
- Terça: UPS, Boeing, General Motors, UnitedHealth
- Quarta: Microsoft, Meta Platforms, Tesla, IBM
- Quinta: Apple, Amazon, Mastercard, Visa
- Sexta: Exxon Mobil e Chevron
O mercado busca orientação futura sobre investimentos em IA, margens e crescimento.
Commodities: a alta pode continuar?
Ouro e prata seguem em território de sobrecompra, mas a busca estrutural por ativos reais continua forte. O gás natural permanece o maior “coringa”: caso o frio persista, novos picos de preço podem surgir, aumentando riscos de estagflação.
Europa e Reino Unido
O foco estará no PIB do 4º trimestre da zona do euro. A recuperação continua desigual, especialmente na Alemanha. No Reino Unido, a libra enfrenta pressão enquanto o Banco da Inglaterra avalia cortes de juros em meio a desaceleração econômica.
Ásia: volatilidade do iene e China
O iene segue no centro das atenções após intervenção verbal das autoridades japonesas. A Banco do Japão manteve juros em 0,75%, enquanto autoridades sinalizam prontidão para agir contra movimentos especulativos.
Na China, os lucros industriais seguem pressionados. O mercado acompanhará de perto os PMIs para avaliar se estímulos recentes estão surtindo efeito.
Conclusão
A semana de 26 a 30 de janeiro representa um ponto decisivo para os mercados. A combinação de decisão do Fed e resultados das grandes empresas de tecnologia cria um ambiente binário para ativos de risco.
Posicionamento disciplinado, atenção à liquidez e gestão defensiva de risco permanecem essenciais.

