Hedging e Pairs Trading
Hedging é um conceito fundamental no trading. Trata-se de reduzir, neutralizar ou até inverter a exposição a um determinado ativo. Já o pairs trading é uma forma estruturada de hedge cujo objetivo, desde o início, é manter a exposição o mais próxima possível de neutra em relação ao mercado. Existem diferentes razões e formas de implementar hedge.
No caso do posicionamento intraday, imagine que você abra uma posição comprada e o preço se mova contra você. Em vez de acionar imediatamente o stop-loss, pode optar por abrir uma posição vendida equivalente, neutralizando temporariamente a exposição enquanto o mercado testa uma zona técnica relevante. Já no médio ou longo prazo, suponha que você compre 1 lote a US$ 100 com alvo em US$ 115 em três meses. Mesmo com tese macro intacta, o preço não sobe em linha reta. Durante correções técnicas, pode-se abrir uma posição vendida temporária para reduzir o drawdown até que o movimento principal retome.
Considere o seguinte exemplo: compra de 1.000 unidades a US$ 100, com alvo em US$ 100,65 e stop planejado em US$ 99,90. Se o preço cai para US$ 99,90, mas há suporte identificado entre US$ 99,90 e US$ 99,75, pode-se vender 1.000 unidades nesse nível, travando a exposição. Caso o preço rompa US$ 99,75, encerra-se toda a estrutura. Nesse caso, o hedge atua como um mecanismo de “congelamento de risco”, em vez de um stop definitivo.
O hedge pode ser total, parcial ou até resultar em reversão. Um hedge total significa exposição líquida zero (long 100 / short 100). Um hedge parcial, por exemplo, long 1.000 e short 800, mantém exposição residual. Já uma reversão ocorre quando um nível estrutural invalida a tese inicial e o trader vende mais do que a posição original, invertendo a direção. Trata-se de uma ferramenta ativa de gestão de risco, especialmente útil em zonas técnicas de incerteza.
O hedge mais direto é feito no mesmo instrumento: estar comprado em US500 e vender US500. No entanto, também é possível utilizar ativos correlacionados, como US30 ou US100. Dois fatores são fundamentais: o valor nocional e a correlação (beta). Se US500 negocia a 6.950 e US30 a 50.300, a equivalência não é 1:1. Além disso, se historicamente o US100 se move mais que o US500 em termos percentuais, o hedge deve ser ajustado proporcionalmente. A abordagem mais rigorosa envolve regressão estatística para calcular o hedge ratio, mas muitos traders utilizam análise histórica aproximada. É importante reconhecer que hedges cruzados raramente produzem neutralidade perfeita.
O pairs trading é semelhante ao hedge cruzado, mas com uma diferença essencial: o hedge não é defensivo, é a própria estratégia. Idealmente, testa-se cointegração entre os ativos, mas na prática instrumentos do mesmo setor ou cluster macro costumam ser suficientes, como WTI e Brent, Goldman Sachs e Morgan Stanley, ou FTSE MIB e IBEX. O trader compra o ativo relativamente forte e vende o relativamente fraco, operando o spread com exposição líquida próxima de zero. Por exemplo, se o spread Brent–WTI oscila historicamente entre US$ 2 e US$ 6,5 e está próximo do limite superior, pode-se vender Brent e comprar WTI esperando compressão do spread. A posição já nasce hedgeada.
Hedging é uma competência essencial para traders profissionais. Não é opcional. Deve ser planejado desde o momento em que a posição principal é aberta. Preservação de capital e controle de drawdown permanecem pilares centrais de qualquer estrutura de trading sustentável.


