Bitcoin Volátil com Guerra Comercial
O Bitcoin teve mais uma sessão agitada na quinta-feira, oscilando entre cerca de US$ 65.900 e US$ 67.000, enquanto traders reagiam à retomada da retórica comercial do ex-presidente dos EUA, Donald Trump. A afirmação de que as tarifas reduziram o déficit comercial dos Estados Unidos em 78% trouxe novamente os fatores macroeconômicos para o centro das atenções, lembrando os investidores de que as criptomoedas voltaram a se comportar como ativos de risco globais.
Bitcoin reage às manchetes sobre tarifas
O Bitcoin chegou a cair abaixo de US$ 66.000 antes de se recuperar em direção aos US$ 67.000, enquanto o mercado avaliava a afirmação de que as tarifas reduziram drasticamente o déficit comercial dos EUA e que ele pode até entrar em superávit ainda este ano.
Para os traders de cripto, a precisão dos números importa menos do que o sinal enviado: mais debate sobre tarifas pode significar condições financeiras mais apertadas.
As tarifas funcionam como um imposto indireto sobre importações. Isso pode elevar os preços na economia real e dificultar o trabalho dos bancos centrais no controle da inflação. Quando os riscos inflacionários aumentam, o mercado passa a precificar juros mais altos por mais tempo, cenário que normalmente pressiona ativos de risco, incluindo criptomoedas.
Juros altos por mais tempo: o principal risco para o cripto
Nas últimas semanas, o Bitcoin tem se comportado mais como um ativo macro do que como uma história de crescimento tecnológico. Em vez de reagir a notícias específicas do setor cripto, o preço tem acompanhado de perto:
- Expectativas de juros
- Condições de liquidez
- Força do dólar americano
Se as tarifas contribuírem para uma inflação persistente, o Federal Reserve pode manter o custo do dinheiro elevado. Juros mais altos tendem a fortalecer o dólar e reduzir o apetite por ativos especulativos, dificultando a sustentação das altas do Bitcoin.
Dados comerciais reforçam a narrativa
O debate sobre tarifas acontece em um cenário de mudanças nos dados de comércio. No início do ano, o déficit comercial dos EUA caiu fortemente para cerca de US$ 29,4 bilhões, o nível mais baixo desde 2009. Analistas apontaram a queda nas importações, o aumento das exportações e os efeitos indiretos das ameaças tarifárias como fatores principais.
No entanto, economistas destacaram que grande parte da melhora veio dos fluxos de ouro não monetário, que podem distorcer os números mensais e fazer a tendência parecer mais forte do que realmente é.
Por que o Bitcoin voltou a agir como ativo macro
Nas últimas duas semanas, o Bitcoin tem seguido a liquidez global e as expectativas de juros, em vez de catalisadores próprios do mercado cripto. Isso reforça a ideia de que o BTC é visto como um ativo híbrido entre hedge macro e ativo de risco.
Olhando para frente, dois cenários podem definir o próximo movimento do Bitcoin:
1. Temores com tarifas aumentam
Se as tensões comerciais fortalecerem o dólar e apertarem as condições financeiras, as altas do Bitcoin podem ter dificuldade para se sustentar.
2. O ruído político perde força
Se as manchetes perderem impacto, os traders devem voltar a focar em fluxos cripto, alavancagem e recuperação de níveis importantes.
Por enquanto, o Bitcoin permanece preso entre ventos macro contrários e o otimismo dos investidores, mantendo a volatilidade em destaque.

