EURUSD Luta para Sustentar 1,16

Desde o início da semana, o dólar vem se fortalecendo de forma significativa frente a praticamente todas as moedas, e a taxa de câmbio com o euro não é exceção. A busca por liquidez em USD — possivelmente para cumprir obrigações financeiras futuras e também como parte da demanda por ativos de refúgio — elevou o USDX em cerca de 1,35% até agora. Ontem houve um leve recuo de 0,28%, coincidindo com uma recuperação das bolsas norte-americanas.

O EURUSD seguiu trajetória semelhante. Após romper o suporte em 1,1770 — formado no início de fevereiro e testado diversas vezes ao longo do mês — o par caiu rapidamente até a mínima de 1,1530 na terça-feira, antes de tentar estabilizar-se em torno de 1,16.

Como é amplamente conhecido, o bloco europeu permanece fortemente dependente de importações de energia. Aproximadamente 12% do petróleo e 10% do gás provêm de países do Golfo Pérsico, estando atualmente expostos a incertezas ou possíveis interrupções. Custos energéticos mais elevados tendem a deteriorar a balança comercial, o que é negativo para o euro. Ao mesmo tempo, o risco de crescimento econômico mais lento — decorrente do aumento nos custos de produção — também pode pressionar as perspectivas econômicas do bloco.

Essa combinação de fatores pode eventualmente levar o BCE a abandonar sua atual postura de espera, embora ainda seja cedo para conclusões definitivas. Esses fatores, por outro lado, são em grande parte irrelevantes para os Estados Unidos, que possuem independência energética, o que ajuda a explicar a recente fraqueza do EURUSD.

EURUSD, Diário, Fev 2025 – Agora

Perspectiva Técnica do EURUSD

Embora 1,1770 tenha sido um suporte relevante formado em fevereiro, a região de 1,16 é ainda mais importante. Os preços permanecem acima desse nível desde pelo menos junho do ano passado, e cada movimento de queda — como os observados no final de julho e em novembro — foi rapidamente rejeitado pelos compradores.

Do ponto de vista técnico, 1,1530 representa o primeiro suporte relevante, seguido por 1,1470 e depois 1,14. Abaixo desse patamar existe uma zona mais ampla de acumulação correspondente à faixa em que o par negociou na primavera passada, aproximadamente entre 1,14 e 1,1280.

Suportes adicionais aparecem em 1,1210 e 1,1135, embora atingir esses níveis implicaria uma queda próxima de 5% a partir dos preços atuais — um movimento significativo para um par cambial principal.

Por esse motivo, é mais provável que o movimento de queda encontre alguma estabilização antes de atingir esses níveis mais profundos. Ainda assim, a direção de médio prazo pode continuar apontando para baixo, embora a disputa entre compradores e vendedores provavelmente permaneça concentrada na região atual.

Os indicadores técnicos permanecem claramente negativos. O RSI está em 33,5 e continua em queda, o MACD virou para território negativo e o preço negocia bem abaixo das médias móveis de 21 e 50 dias, que também se aproximam de um cruzamento de baixa.

Dito isso, o par pode registrar uma pausa temporária nos níveis atuais. Nesse cenário, traders podem observar possíveis resistências iniciais em 1,1630, seguidas por 1,1650 e posteriormente pela região de 1,1685.