Broadcom Surfa o Boom da IA

Hoje deixamos de lado o conflito no Oriente Médio e voltamos às ações, mais uma vez ligadas à inteligência artificial. Nos últimos dois dias, Broadcom e Marvell Technology divulgaram seus resultados (e até agora cerca de 96% das empresas do S&P 500 já reportaram nesta temporada). Essas duas empresas talvez sejam menos conhecidas, mas dominam o mercado de alto crescimento de chips personalizados para IA e redes de data centers. Em termos simples, elas representam a infraestrutura que sustenta a revolução da IA: enquanto a Nvidia produz o “cérebro” (GPUs), Broadcom e Marvell constroem o “sistema nervoso” (redes) e os “esqueletos personalizados” (ASICs) que mantêm tudo conectado.

A Broadcom domina o segmento de redes para IA: clusters modernos de inteligência artificial exigem interconexões de altíssima velocidade para conectar milhares de aceleradores. O switch Tomahawk 6 e o roteador Jericho 4 da Broadcom tornaram-se padrões de facto para infraestruturas de data centers de hyperscalers, com participação de mercado em switching para nuvem frequentemente estimada em torno de 90%. A parte mais estratégica do negócio da AVGO (seu ticker) é a divisão de aceleradores personalizados — internamente chamada de XPU (Accelerated Processing Unit). Desde 2014, quando co-desenvolveu a primeira Tensor Processing Unit com o Google, a Broadcom construiu uma capacidade praticamente incomparável de desenvolver circuitos integrados específicos (ASICs) sob medida para as necessidades de cada hyperscaler. Esses dois segmentos colocam a empresa em praticamente todos os pontos críticos da infraestrutura de IA. A Broadcom não é uma empresa de IA no sentido tradicional — não treina modelos nem desenvolve aplicações —, mas fornece o silício que torna tudo isso possível.

Os resultados foram muito fortes: a receita total atingiu US$ 19,31 bilhões (+29% YoY) e deve crescer para US$ 19,9 bilhões no próximo trimestre. US$ 12,5 bilhões vieram do negócio de semicondutores (+53% YoY) e US$ 6,8 bilhões de software de infraestrutura (que cresceu apenas 1% YoY). O lucro por ação superou as expectativas, chegando a US$ 2,05 contra US$ 2,02 esperados. A empresa gerou US$ 27 bilhões em fluxo de caixa livre, e a receita proveniente do segmento de IA agora representa 44% do total, contra apenas 15% há dois anos. Entre seus clientes mais importantes estão OpenAI (ChatGPT), Anthropic (Claude) e Meta Platforms.

ANÁLISE TÉCNICA

A primeira coisa que chamou atenção ao observar o gráfico foi a semelhança com a Nvidia. Após uma forte alta desde os mínimos de abril até meados de julho, a ação continuou avançando até o final do outono. No entanto, seis meses depois, os níveis atuais (US$ 337,07 no fechamento de ontem, +4,87%) não estão muito distantes daqueles observados no final de agosto (em 08/08 o fechamento foi de US$ 308). A semelhança com a Nvidia aparece especialmente no suporte — marcado em roxo no gráfico — um nível dinâmico sobre o qual o preço tem se apoiado nos últimos meses. Alguém com um pouco de imaginação e vontade de antecipar movimentos (algo que geralmente é melhor evitar no trading) poderia até enxergar o possível neckline de um padrão de Cabeça e Ombros. Fora essa observação, a principal diferença em relação à Nvidia é que aqui o neckline é descendente, enquanto no caso da “rainha da IA” ele ainda aponta para cima.

AVGO, Diário, Jul 2025 – Agora

De qualquer forma, os resultados foram recebidos de forma positiva. O preço abriu ontem sobre a média móvel de 21 períodos (MA21) e avançou até a média de 50 períodos (MA50). Por enquanto, portanto, o papel permanece em uma espécie de zona de indecisão e, além disso, as duas médias móveis recentemente cruzaram para baixo.

Os níveis mais importantes a monitorar são os seguintes: no lado inferior, US$ 305, que coincide com o suporte destacado no gráfico e também corresponde ao ponto de início do forte gap de alta observado no começo de setembro (quando se tornou público o contrato de US$ 10 bilhões com a OpenAI). No lado superior, US$ 339,30 provavelmente funcionará como uma resistência difícil que, se rompida, poderia abrir caminho para US$ 354. Caso US$ 305 seja rompido para baixo, os primeiros suportes aparecem em US$ 295 e US$ 280. Tecnicamente, no entanto, um movimento dessa natureza representaria um sinal bastante negativo e poderia pressionar significativamente a ação.