EUR/JPY Enfraquece Levemente Antes das Decisões do BCE e do BoJ Nesta Semana

A Zona do Euro exporta bens para o Japão no valor aproximado de 70 bilhões de euros por ano, principalmente produtos farmacêuticos e equipamentos médicos (cerca de 18 bilhões de euros), além de máquinas e veículos. Ao mesmo tempo, importa do Japão bens com valor total próximo de 100 bilhões de euros, resultando em um déficit comercial de cerca de 2,5 bilhões de euros por mês. Isoladamente, e de acordo com a teoria econômica clássica, essa dinâmica seria claramente negativa para a moeda comum frente ao iene. No entanto, vale lembrar que os Estados Unidos mantêm um déficit comercial persistente desde 1975, sem que isso tenha desestabilizado o dólar americano.

Diversos fatores adicionais, porém, também pesam contra a moeda japonesa, começando pela dinâmica do PIB. Após um primeiro semestre forte, com crescimento chegando a +2% no segundo trimestre, a atividade econômica desacelerou significativamente no terceiro trimestre, registrando contração de 2,3% em termos anuais. Essa queda foi em grande parte causada por uma redução nos investimentos em capital, refletindo custos de financiamento mais elevados.

Isso nos leva a um dos principais fatores fundamentais que influenciam as relações entre moedas: as taxas de juros. No Japão, os juros subiram de forma significativa e rápida ao longo do último ano, com toda a curva de rendimentos — de 2 a 10 anos — apresentando aumento percentual muito maior do que a observada na Europa. Tanto os rendimentos dos títulos do governo japonês de 2 anos quanto de 10 anos praticamente dobraram em 2025. Apesar desse forte ajuste, os níveis absolutos de rendimento continuam mais elevados na Europa ao longo de toda a curva, incluindo as taxas de política monetária (0,50% para o Banco do Japão contra 2,15% para o BCE). Isso representa uma vantagem estrutural clara para o euro, vantagem que o mercado aparentemente já precificou de forma decisiva.

Ainda assim, analistas esperam que o Banco do Japão (BoJ) eleve sua taxa de juros para 0,75% nesta semana, o nível mais alto dos últimos 30 anos. Uma decisão desse tipo representaria mais um passo no estreitamento do diferencial de juros entre o Japão e a Zona do Euro.

ANÁLISE TÉCNICA

O EUR/JPY tem se mantido em tendência de alta persistente, refletindo a fraqueza contínua do iene, desde 28 de fevereiro de 2025, quando o cruzamento marcou mínima em 154,79, comparado com o nível atual de 182,02. Do ponto de vista de trading, uma característica positiva desse movimento tem sido sua natureza relativamente ordenada: a ação de preços respeitou amplamente um canal de alta bem definido, com apenas desvios curtos e limitados além de seus limites.

Vale destacar que o impulso de alta iniciado em setembro, após o rompimento da máxima anterior em 175,42 (registrada em julho de 2024), ainda não conseguiu retestar a parte superior daquela faixa anterior — pelo menos por enquanto. Esse nível também define uma linha de tendência descendente clara, testada no início de novembro e novamente no início de dezembro.

Os indicadores técnicos que normalmente acompanhamos — RSI, MACD e as médias móveis de longo prazo de 50 dias (179,01) e 100 dias (175,92)continuam sustentando firmemente a tendência de alta. Ainda assim, o cruzamento vem de uma sessão negativa e, no momento da análise, apresenta queda de cerca de 0,20%.

Nesse contexto, os níveis-chave a serem monitorados no lado negativo são a mínima local recente em 181,80 e, mais importante, a mínima de final de novembro em 180,13. Um teste desse último nível poderia implicar rompimento da linha de tendência ascendente mais recente (a ser confirmado), potencialmente abrindo caminho para um movimento em direção à média móvel de 50 dias, na região de 179, e, em uma correção mais profunda, para o limite inferior do canal, atualmente próximo de 177,75.

Por outro lado, caso o iene volte a enfraquecer à medida que os eventos desta semana se desenrolam, um primeiro alvo natural de alta seria a máxima recente em 183,15, seguido por um possível teste do topo do canal ascendente, que atualmente projeta um nível próximo de 184,60.