Big Tech Inicia Temporada com Resultados Sólidos

Meta Platforms, Microsoft e Tesla divulgaram resultados após o fechamento do mercado em 28 de janeiro de 2026, referentes ao 4º trimestre de 2025 para Meta e Tesla e ao 2º trimestre fiscal de 2026 para a Microsoft. No conjunto, os números trouxeram surpresas positivas, reforçando o otimismo em torno da IA, mas também evidenciando divergências crescentes na eficiência da alocação de capital entre as empresas.

Embora os resultados tenham superado amplamente o consenso, a reação do mercado variou significativamente, menos pelo desempenho em si e mais pela percepção sobre eficiência de investimento. Em 2026, o tema central já não é apenas o potencial da IA, mas sua rentabilidade. A Meta financia sua ambição por meio de um motor publicitário revitalizado; a Microsoft enfrenta maior escrutínio quanto ao retorno de seus pesados investimentos em infraestrutura; e a Tesla atravessa uma transição complexa de fabricante automotiva para plataforma de IA e robótica.

As três companhias superaram as expectativas de lucro por ação (EPS). A Meta registrou o maior upside, com EPS de US$ 8,88 versus US$ 8,21 esperados (+8%), seguida pela Tesla com US$ 0,50 versus US$ 0,45 (+11%) e pela Microsoft com US$ 4,14 versus US$ 3,88 (+7%). Em receita, o desempenho foi sólido, porém mais heterogêneo: a Meta reportou US$ 59,9 bilhões versus US$ 58,3 bilhões esperados (+3% surpresa, +24% YoY); a Microsoft entregou US$ 81,3 bilhões versus US$ 80,3 bilhões (+1% surpresa, +17% YoY); e a Tesla reportou US$ 24,9 bilhões, levemente abaixo de estimativas refinadas de US$ 25,1 bilhões, mas acima do consenso de US$ 24,7 bilhões (+1% surpresa, -3% YoY).

Meta Platforms (META)
A publicidade impulsionou um trimestre forte, com o segmento Family of Apps superando expectativas, apesar das perdas crescentes na Reality Labs relacionadas aos investimentos no metaverso. O ponto mais relevante foi o guidance de CAPEX para 2026, agora estimado entre US$ 115–135 bilhões, sinalizando estratégia agressiva em IA, mas também levantando preocupações sobre pressão de margens no curto prazo.

Esse receio foi parcialmente compensado por forte dinâmica operacional: impressões de anúncios cresceram 18% na comparação anual, enquanto os preços avançaram 6%, oferecendo alavancagem suficiente para absorver maiores investimentos. O forte beat em receita e lucro levou as ações a subirem cerca de 10% no after-market, reforçando a confiança na execução da empresa. A expectativa é de abertura em US$ 713,12, próximo à linha de tendência destacada.

Microsoft (MSFT)
A Microsoft reportou crescimento de receita de 17%, apoiado por demanda robusta em nuvem e IA, com lucro operacional avançando 21% e margem operacional sólida de 47%. No entanto, a margem bruta recuou para 68%, refletindo o impacto do CAPEX elevado ligado à IA. Apesar de um trimestre tecnicamente positivo, as ações caíram cerca de 4% no after-market.

O CAPEX trimestral atingiu US$ 37,5 bilhões, sugerindo ritmo anualizado superior a US$ 150 bilhões. A reação do mercado indica preocupação crescente de que a compressão de margens na nuvem possa persistir à medida que a expansão de infraestrutura avança. Em essência, investidores questionam se a Microsoft está construindo uma “catedral” de IA cujo retorno pode demorar mais que o previsto. No trimestre, a companhia retornou US$ 12,7 bilhões aos acionistas via dividendos e recompras.

Tesla (TSLA)
As margens foram um ponto positivo, com margem bruta de 20,1% (automotiva em 17,9%), refletindo disciplina de custos e forte desempenho no segmento de armazenamento de energia, que registrou receita recorde de US$ 12,8 bilhões (+27% YoY). Ainda assim, a Tesla apresentou sua primeira queda anual de receita, evidenciando pressão persistente no negócio automotivo principal.

A teleconferência foi dominada pela mudança estratégica de Elon Musk em direção a IA, robótica e autonomia, incluindo planos de converter linhas da fábrica de Fremont — antes dedicadas aos Model S e X — para produção de robôs humanoides. Segundo a gestão, a Tesla deixa de ser primordialmente uma montadora e passa a se posicionar como plataforma de IA, robótica e energia. Apesar da fraqueza na demanda por veículos, as ações avançaram cerca de 2% no after-market, sinalizando que investidores continuam priorizando o potencial de longo prazo em detrimento dos fundamentos imediatos.