Brent dispara 29%, spread com o WTI chega brevemente a 0

Na manhã de hoje, o petróleo Brent disparou 29%, alcançando US$119,50 por barril, chegando momentaneamente a igualar o spread com o WTI — normalmente positivo — aproximando-o de zero. A máxima intradiária do petróleo norte-americano foi US$119,40. Esse início de semana turbulento soma-se aos ganhos registrados nas últimas cinco sessões de negociação, que totalizam 35% — o maior avanço na história do mercado de futuros desde o início dos registros, em 1983.

Durante o fim de semana, no sábado, o Kuwait anunciou cortes em sua atividade de produção e refino, sem especificar a magnitude exata. O quinto maior produtor da OPEP normalmente produz cerca de 2,6 milhões de barris por dia. Ao mesmo tempo, a atividade de extração no Iraque está colapsando devido à falta de capacidade de armazenamento, com pelo menos 1,5 milhão de barris por dia efetivamente retirados do mercado, já que a produção nos principais campos do sul caiu aproximadamente 70%.

Ainda nesta manhã, a Bapco Energy, no Bahrein — a maior empresa de petróleo do país — e a QatarEnergy declararam força maior. Trata-se de um conceito jurídico utilizado em contratos para justificar o não cumprimento de obrigações quando eventos extraordinários, fora do controle das partes, tornam a execução impossível ou impraticável. Na prática, isso significa: não entregaremos mais petróleo sem sofrer penalidades legais, e em muitos casos pagamentos feitos antecipadamente não serão reembolsados.

No momento da redação, tanto o WTI quanto o Brent recuaram dos níveis vertiginosos atingidos poucas horas atrás — patamares não vistos desde a invasão da Ucrânia em 2022 — e estão sendo negociados atualmente em +11,90% e +14,42%, respectivamente.


Análise Técnica

Antes de observar o gráfico do Brent, dada a extrema volatilidade, é útil examinar primeiro o spread Brent–WTI. Os dois contratos obviamente apresentam comportamentos de preço semelhantes, embora não idênticos. A comparação de suas séries históricas pode ser considerada relativamente estacionária, criando uma oportunidade sólida para operações de spread trading — comprar um contrato enquanto simultaneamente se vende o outro, reduzindo o risco direcional e negociando a divergência entre ambos.

Spread Brent – WTI, 2021 – Agora

Como mostrado no gráfico abaixo, desde pelo menos 2021, Brent e WTI têm negociado dentro de uma faixa de spread aproximada entre US$0 e US$7. O benchmark Brent do Reino Unido normalmente negocia com prêmio em relação ao WTI onshore, o que significa que geralmente é mais caro. Como em qualquer série temporal limitada por faixa, o spread tende a oscilar de um lado para o outro dentro desse intervalo. Durante essas sessões altamente voláteis, o próprio spread também apresentou movimentos extremos, variando significativamente de uma sessão para outra.

Ainda na segunda-feira passada, o spread havia se ampliado para US$7,80, enquanto nesta manhã — apenas cinco sessões depois — testou brevemente US$0, como mencionado anteriormente. No momento, ele volta a se ampliar rapidamente para cerca de US$4,50 (o gráfico abaixo apresenta ligeiro atraso). Nossa hipótese de trabalho é que, nas próximas horas frenéticas, o spread pode voltar a se expandir em direção à região de US$6–US$6,50. Do ponto de vista operacional, isso implicaria comprar Brent e simultaneamente vender WTI para se beneficiar desse alargamento.

Voltando ao gráfico padrão do Brent, apresentamos apenas o timeframe semanal para destacar a natureza explosiva do movimento. Após a quebra da linha de tendência de baixa que estava em vigor desde 2023, o preço rapidamente superou todos os principais níveis de resistência — US$78,50–US$80,50, depois US$94 — e nesta manhã alcançou a zona de máximas de 2022.

UK Brent, Semanal, 2020 – Agora

No momento, o RSI semanal está fortemente sobrecomprado, e o candle atualmente em formação é um spinning top muito longo. Em resumo, as oscilações diárias — frequentemente ocorrendo em poucas horas — são extremamente violentas, permitindo oportunidades agressivas de trading tanto na compra quanto na venda. No entanto, apesar da situação atual e do fluxo constante de notícias aparentemente favoráveis ao petróleo, assumir uma posição comprada direta neste estágio não parece particularmente prudente. Em nossa visão, operar o spread continua sendo a abordagem preferível.

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