Ouro e Prata Voláteis Novamente
Em determinado momento da sessão altamente volátil de ontem, o ouro e a prata chegaram a cair 8,45% e 9,84%, respectivamente, em relação ao fechamento do dia anterior. Tudo isso ocorreu enquanto o dólar americano se fortalecia, com seu principal índice, o DXY, se aproximando de 100, impulsionado por uma nova alta acentuada nos rendimentos ao longo de toda a curva dos EUA. O rendimento de 10 anos atingiu 4,445%, com vendas generalizadas (que elevam os yields) também no curto prazo, já que o rendimento de 2 anos superou brevemente os 4%. Ao mesmo tempo, o petróleo voltou a subir, com Brent e WTI acima de US$ 100.
Em resumo, as relações intermercado estavam funcionando conforme o esperado. No entanto, essa dinâmica foi rapidamente revertida após declarações de Trump — posteriormente consideradas imprecisas — sobre contatos com autoridades iranianas que supostamente indicavam avanços positivos para reduzir as tensões no Golfo Pérsico. O ouro recuperou US$ 413 em poucos minutos a partir da mínima de US$ 4.099, encerrando o dia com leve queda de 1,11% (dentro dos padrões recentes). A prata apresentou desempenho superior: após atingir mínima de US$ 61,01, fechou em alta de 2,79%.
Há um aspecto positivo nesse movimento, especialmente em termos de volume, que foi extremamente elevado. Combinado à magnitude da movimentação de preços, isso sugere uma possível fase de capitulação — estágio final de uma tendência. Ainda assim, é cedo para afirmar se um fundo de longo prazo foi estabelecido ou, mais provavelmente, se trata de um piso temporário que pode se sustentar por algumas semanas, mas ainda requer confirmação.

Relação Ouro/Prata, 2018 – Presente
Há alguns meses, o foco estava na relação ouro/prata, que operava em níveis historicamente baixos (em torno de 46). Em períodos de alta volatilidade, operar spreads com cointegração — como esse ou Brent vs. WTI — pode ser uma abordagem mais eficiente. A expectativa era de que a prata apresentasse desempenho inferior ao ouro, independentemente da direção, devido à sua sobrevalorização relativa. Esse cenário se confirmou: a relação subiu para 63,79 e ainda pode ter algum espaço de alta, embora já esteja próxima de níveis mais neutros.
Dito isso, a atenção agora se volta para o gráfico do XAGUSD.
Análise Técnica
Ontem pela manhã, o preço tocou US$ 60,973 e formou um padrão clássico de martelo segundo a análise de candles. A mínima anterior de 6 de fevereiro foi brevemente rompida durante o dia, mas rapidamente recuperada; assim, o nível de US$ 64,10 é considerado o principal suporte estrutural.
A linha de tendência de alta iniciada em agosto de 2025 está alinhada com esses níveis. Uma linha de tendência de mais longo prazo se encontra abaixo, atualmente próxima de US$ 49,70.

XAGUSD, Diário, Ago 2025 – Presente
O preço voltou a negociar dentro das Bandas de Bollinger, indicando possível pausa ou reversão da tendência de baixa de março. Os principais níveis de resistência estão em US$ 72,85 e na região de US$ 77, onde passa a linha de tendência descendente a partir das máximas de janeiro próximas de US$ 120.
Outras resistências estáticas — mais relevantes no longo prazo — estão em US$ 79,20 e US$ 89,30.
Entre esses níveis, as médias móveis de 21 dias (atualmente em US$ 81,83) e de 50 dias (US$ 85,50) seguem em destaque. Ambas cruzaram para baixo, sinalizando fraqueza subjacente. Os indicadores de momentum também permanecem negativos, com RSI em 36,42 e MACD abaixo de zero, em linha com a recente ação de preço.
A volatilidade deve continuar elevada, com alternância entre sessões de alta e de baixa. Ainda assim, alguma estabilização nos níveis atuais — possivelmente ligeiramente acima — parece provável nas próximas semanas.