Ouro se aproxima de US$ 4.500 com aumento da demanda por ativos de proteção diante da crise entre EUA e Venezuela
O preço do ouro (XAU/USD) avançou em direção ao nível de US$ 4.500 por onça durante o início da sessão asiática desta quarta-feira, impulsionado pelo aumento das tensões geopolíticas e pelas expectativas persistentes de cortes nas taxas de juros por parte do Federal Reserve dos Estados Unidos. O metal precioso subiu mais de 1% no dia, à medida que investidores buscaram proteção diante da crescente incerteza global.
Instabilidade na Venezuela impulsiona fluxos para ativos de proteção
Um dos principais fatores por trás da recente alta do ouro é a escalada da crise na Venezuela. Os Estados Unidos realizaram uma operação militar de grande escala que resultou na captura e extradição do presidente venezuelano Nicolás Maduro, que agora enfrenta acusações nos EUA, intensificando o risco geopolítico nos mercados globais.
Esse desdobramento reforçou o apelo do ouro como um ativo tradicional de proteção em períodos de instabilidade. Maduro e sua esposa declararam-se inocentes das acusações, o que adiciona ainda mais incerteza ao cenário político. As reações internacionais foram mistas, com alguns líderes condenando a operação e outros apoiando as ações para lidar com a crise venezuelana.
Expectativas de cortes de juros pelo Fed sustentam o ouro
Ao mesmo tempo, os mercados continuam analisando as atas do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que indicaram que muitos dirigentes do Federal Reserve consideram apropriadas futuras reduções nas taxas de juros, desde que a inflação continue desacelerando.
Embora haja divergências quanto ao momento e à magnitude dos cortes, os investidores já precificam a possibilidade de pelo menos dois cortes de 25 pontos-base ao longo do ano. Um ambiente de juros mais baixos reduz o custo de oportunidade de manter ativos sem rendimento, como o ouro, sustentando a demanda pelo metal precioso.
Dados econômicos dos EUA entram no radar
A atenção do mercado agora se volta para importantes indicadores econômicos dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, será divulgado o Índice de Gerentes de Compras (PMI) de Serviços do ISM, que pode influenciar as expectativas em relação à política monetária.
Mais adiante na semana, o relatório de emprego de dezembro estará no foco dos investidores. A expectativa é de que a economia americana tenha criado cerca de 55.000 novas vagas, enquanto a taxa de desemprego pode recuar levemente. No entanto, dados mais fortes do que o esperado podem fortalecer o dólar e pressionar o preço do ouro no curto prazo.
O que isso significa para traders e investidores
Com os riscos geopolíticos pesando sobre o sentimento do mercado e a política monetária ainda apontando para uma possível flexibilização, o ouro segue ganhando força como ativo defensivo. Traders e investidores devem acompanhar de perto os próximos dados macroeconômicos dos EUA, já que surpresas nos indicadores podem alterar o posicionamento do mercado e impactar tanto o dólar quanto a trajetória do ouro no curto prazo.