Perspectiva Semanal do Mercado | 19 – 23 de janeiro de 2026
Os mercados financeiros globais devem enfrentar uma semana de alto risco dominada por tensões geopolíticas. O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a ameaçar impor tarifas a vários países europeus devido à questão da Groenlândia, o que enfraqueceu rapidamente o sentimento de risco e levou investidores a buscar ativos de proteção.
Embora indicadores econômicos e resultados corporativos sejam divulgados ao longo da semana, as manchetes geopolíticas e a incerteza comercial devem liderar os movimentos em ações, commodities, moedas e títulos. A liquidez no início da semana é reduzida devido ao feriado de Martin Luther King Jr. nos EUA, o que pode aumentar a volatilidade.
Pontos-chave para observar
- Tensões comerciais EUA–Europa tornam-se principal fonte de volatilidade
- Forte demanda por ativos de proteção, com ouro em máximas históricas
- Ações expostas ao comércio europeu ficam vulneráveis a manchetes
- Dólar enfrenta forças mistas entre aversão ao risco e preocupações com crescimento
- Nos resultados corporativos, o foco será exposição a tarifas e cadeias de suprimentos
Reprecificação do risco geopolítico
O mercado está rapidamente incorporando novos riscos geopolíticos. A possibilidade de tarifas de 10% em fevereiro e até 25% em junho mudou a percepção de simples negociação para possível implementação de políticas.
Investidores estão reduzindo exposição a ativos cíclicos e aumentando posições em metais preciosos e moedas defensivas, favorecendo estratégias de curto prazo.
Ações sob pressão
Futuros de ações dos EUA abriram em queda, indicando deterioração do apetite por risco. Apesar da temporada de resultados com empresas como Netflix e Johnson & Johnson, a incerteza comercial continua dominando.
A perspectiva da Reserva Federal torna-se mais complexa, pois tarifas podem elevar a inflação e ao mesmo tempo prejudicar o crescimento.
Europa e Reino Unido sob pressão
Os mercados europeus iniciam a semana pressionados, com França, Alemanha e a União Europeia avaliando possíveis retaliações. O risco de uma guerra comercial completa aumenta.
No Reino Unido, a libra enfrenta pressão adicional, elevando a volatilidade no mercado cambial.
Forex: ativos de proteção dominam
O iene japonês e o franco suíço ganham força, enquanto moedas sensíveis ao crescimento recuam. O dólar recebe suporte parcial da aversão ao risco, mas seu potencial de alta é limitado pelas preocupações com a economia dos EUA.
Commodities: ouro lidera, petróleo cauteloso
O ouro atinge máximas históricas com a busca por segurança, enquanto a prata acompanha. Já o petróleo permanece cauteloso, equilibrando riscos geopolíticos e temores de menor demanda global.
Conclusão
A semana de 19 a 23 de janeiro de 2026 marca um momento em que a geopolítica supera a economia como principal motor dos mercados. Até que haja clareza sobre tarifas e negociações, a volatilidade deve permanecer elevada.
Gestão de risco, menor alavancagem e flexibilidade tática serão essenciais para navegar neste cenário.

