WTI Sobe 14% na Semana Após Rali de Três Dias
É importante entender que mais de 150 tipos diferentes de petróleo bruto são produzidos no mundo, e seus custos de produção podem variar significativamente. Alguns são mais desejáveis e mais fáceis de refinar (exigindo menos processamento) e são classificados de acordo com o peso (leve ou pesado) e o teor de enxofre.
Os custos estimados de extração variam de cerca de US$ 5 por barril em países como Arábia Saudita e Iraque até quase US$ 80 por barril no processamento das areias betuminosas do Canadá. Entre esses extremos está o shale oil extraído por fracking — uma verdadeira revolução no mercado norte-americano nos últimos anos — cujo custo hoje gira em torno de US$ 45–US$ 50 por barril. Isso significa que, quando o preço de mercado cai abaixo do custo de produção das fontes mais caras, torna-se economicamente inviável continuar a extração.
WTI Crude e Brent Crude são os dois contratos futuros mais negociados internacionalmente e os mais acessíveis para traders de varejo. O WTI é o benchmark para o petróleo onshore dos Estados Unidos, enquanto o Brent representa o petróleo offshore do Mar do Norte. Embora a produção nessa região hoje seja relativamente pequena, o Brent continua sendo a referência global para precificação de transações físicas de petróleo entre traders.

Na prática, esses dois futuros não representam exatamente os blends específicos negociados no comércio global. Um terceiro benchmark — cuja relevância cresceu significativamente nos últimos anos e que é central para os fluxos comerciais direcionados à Ásia — é o Dubai Crude. Ainda assim, seu movimento recente de preços acompanhou de perto os demais benchmarks, com alta próxima de 13% nesta semana.
Mais de 20 milhões de barris de petróleo passam diariamente pelo Estreito de Ormuz, e cerca de 80% desse volume é destinado à Ásia. Da mesma forma, aproximadamente um quinto do comércio global de gás natural também transita por essa rota. O Catar tornou-se um fornecedor-chave de gás para a Europa, embora tenha recentemente suspendido a produção.
Atualmente, o tráfego marítimo na região está bloqueado há vários dias e, como mostram imagens de radar, petroleiros permanecem parados em ambos os lados do estreito. O problema não é apenas o risco de ataques militares: navios petroleiros precisam estar segurados para operar, e a Lloyd’s of London — que historicamente domina o mercado de resseguro marítimo — interrompeu a emissão de novas apólices esta semana e, em alguns casos, suspendeu até coberturas já existentes.
Esse é um tema particularmente interessante e que merece análise mais aprofundada. Ele também ajuda a explicar as declarações de Donald Trump ontem, afirmando que os Estados Unidos poderiam intervir para fornecer esse tipo de cobertura de resseguro. Os detalhes operacionais ainda permanecem pouco claros, mas o objetivo declarado é ajudar a restabelecer o fluxo normal do transporte marítimo.
ANÁLISE TÉCNICA
Quem tem acompanhado nossas análises nas últimas semanas sabe que estávamos monitorando atentamente o WTI (Crude), especialmente a linha de tendência descendente iniciada em setembro de 2024 e, acima de tudo, o nível de US$ 66. Isso tanto pelo aumento das tensões no Golfo quanto pelo fato de que, do ponto de vista técnico, o contrato futuro vinha demonstrando sinais de recuperação em direção a essa região.
O nível de US$ 66 havia sido um suporte-chave, testado diversas vezes desde pelo menos 2021, e foi rompido apenas no início do ano passado.
Nas últimas duas semanas, a linha de tendência de baixa foi rompida e posteriormente retestada. O nível de US$ 66 foi novamente desafiado, e o fechamento da semana passada — após um forte candle de alta — ocorreu em US$ 67,30. Esta semana começou com um gap de alta, e o contrato registra atualmente valorização semanal de 13,88%.
Perseguir movimentos de preço geralmente não é uma estratégia prudente, mesmo em cenários dominados por notícias aparentemente claras. A região entre US$ 78,75 e US$ 80,50 representa uma resistência relativamente forte, e o RSI já se encontra em território de sobrecompra (embora esse fator isoladamente não deva ser supervalorizado).
Um rompimento adicional imediato é possível, o que poderia rapidamente levar os preços à região de US$ 85. Em um cenário de guerra, não se pode sequer descartar uma extensão até US$ 94. Ainda assim, acreditamos que uma pausa seja provável no curto prazo — possivelmente acompanhada de uma correção técnica em direção a US$ 72,50.
